Mortos não têm vagas em cemitérios

Para atender a demanda estão sendo retirados restos mortais de túmulos antigos do cemitério Nossa Senhora Aparecida, o único dos seis existentes em Manaus que ainda tem área para sepulturas

Manaus, 19 de Fevereiro de 2011

LÚCIO PINHEIRO

A retirada de restos mortais para a reutilização das sepulturas é uma das formas encontrada para realizar os mais 9 mil enterros anuais no cemitério do Tarumã A retirada de restos mortais para a reutilização das sepulturas é uma das formas encontrada para realizar os mais 9 mil enterros anuais no cemitério do Tarumã (Foto: Raphael Alves)

Restos mortais de sepulturas antigas estão sendo “exumados” para que o cemitério Nossa Senhora Aparecida, na avenida do Turismo, no bairro Tarumã, na Zona Oeste, continue recebendo enterros. Fundado em 1976, e já ocupado por mais de 80 mil túmulos, o cemitério do Tarumã é o único dos seis de Manaus que ainda dispõe de área para novas sepulturas.

Caso não seja construído um novo cemitério, em três anos e meio a capital do Amazonas pode não ter mais onde enterrar seus mortos. Este é o “tempo de vida” que ainda resta ao cemitério do Tarumã, segundo o diretor do Departamento de Cemitérios (Decem) da Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp), Sidney Wanderley.

De acordo com o diretor do Decem, a retirada dos restos mortais para a reutilização das sepulturas é uma das formas que o município tem encontrado para atender à demanda de mais de 9 mil enterros por ano realizados no cemitério do Tarumã. “É uma forma de dar uma sobrevida ao cemitério”, disse Sidney. De julho de 2010 até a semana passada, 5.045 sepulturas foram “recavadas”, segundo informações do Decem. Os ossos retirados dos túmulos são colocados em sacos, identificados e guardados no ossuário do cemitério.

O acréscimo de uma área de 50 mil metros quadrados ao cemitério do Tarumã também dará uma sobrevida ao local, afirmou Sidney. Segundo ele, a nova área terá capacidade para mais 15 mil sepulturas. Entretanto, o espaço ainda não tem data definida para ser inaugurado. “O local já está iluminado. Mas por causa do período de chuva não é possível realizar obras de asfaltamento. Estamos esperando passar esse período. Mas acreditamos que até junho seja inaugurado”, comentou o diretor do Decem.

Apesar de a capacidade do cemitério Nossa Senhora Aparecida estar se esgotando, Sidney disse acreditar que o município pode, em até um ano, construir um novo cemitério. Entretanto, o diretor assume que não está sendo fácil encontrar um terreno com as características necessárias para receber este tipo de obra e, atualmente, não existe definição alguma sobre o assunto, a não ser a preferência pela área da cidade que receberia o projeto: a Zona Leste.

“A prefeitura já está trabalhando nesse projeto para a construção de um cemitério. Pelo prefeito Amazonino Mendes (PTB), seria construído imediatamente. Mas é claro que precisamos ser responsáveis e encontrarmos um local adequado, que obedeça todas as normas. Mas se não for na Zona Leste, será em outro lugar”, afirmou Sidney. Segundo ele, além de uma área grande, o terreno deve ter o solo permeável e não pode ser próximo de conjuntos habitacionais.

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